SER FELIZ é contar uma história que já tem mais de meio século. Lembro-me como se fosse hoje, ficou-me na memória para lembrar nesta época pascal.

Todos conhecem a tradição da igreja católica no domingo de Páscoa: acontecia nas aldeias, vilas e até nas cidades…

Era um grupo composto por o Padre que representava o mensageiro de Jesus, levava a BENÇÃO a todas as casas da Paróquia, o sacristão levava a Cruz de Jesus para as famílias beijarem em representação da visita de Cristo às Casas. Havia mais um ajudante do sacristão que levava a água benta, para purificar todos os males que existiam no seio das Famílias. Depois havia dois rapazes que levavam uns sacos para pedir esmolas para os Santos da Igreja…

Por último, havia um elemento que levava uma pasta para guardar os envelopes que as famílias davam com dinheiro.

Nesse ano fui convidada para fazer essa tarefa, aceitei de bom agrado e fiquei curiosa, como ia percorrer todas as casas daquela freguesia, num dia só.

Fomos avisados para comparecer às seis da manhã no domingo de Páscoa. Qual o meu espanto quando chegamos e deparamos com uma mesa posta com uma grande travessa com massa e carne, nem lhe toquei, não estava habituada a fazer aquelas refeições ao pequeno almoço…

Iniciamos a caminhada nas Casas mais próximas e tudo parecia correr na maior normalidade, cumprimentava-se os membros da família, todos beijavam a Cruz, benzia-se a Casa, pedia-se as esmolas para os Santos da Igreja e eu guardava os envelopes na dita mala.

Mais para o fim da tarde ficaram as últimas casas para visitar, mais pareciam barracos, cheios de buracos, eram mesmo famílias muito pobres, não tinham mesmo nada, fiquei chocada e transtornada por saber como viviam aquelas pessoas tão desfavorecidas e até abandonadas.

Enquanto o padre os tratava com desprezo, ignorando a sua condição, eles sorriam como anjos agradecendo a sua benção, mas o envelope lá estava, eles é que precisavam e ofereciam o que não tinham.

Afinal só eram pobres de bens, mas RICOS de BONDADE e de proteção ESPIRITUAL.

Eles tinham marcado no seu rosto um sorriso que transmitiam uma PAZ tão leve, que achei que não estavam sozinhos, ALGUÉM muito ESPECIAL fazia-lhes companhia e dava-lhes tudo que eles necessitavam!

Quando aceitei este convite tinha apenas catorze anos, na reflexão desse DIA, prometi que quando tivesse uma Casa e uma Família nunca aceitaria esta visita, nem por Bem, nem por Mal, quando quero a visita de Jesus, Ele está sempre presente comigo, mora na Minha Casa!

Respeito quem o faz, mas cumpri a Minha Promessa!

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